quarta-feira, abril 15, 2009
terça-feira, abril 14, 2009
Sobre outro dia de março, só que de 2008
Eu sabia que tinha escrito um texto sobre o show do Smashing Pumpkins que assisti ano passado. Só não sabia onde estava. Finalmente o encontrei. Existe uma notável diferença de entusiasmo entre o post sobre o show do Radiohead e esse. Talvez o Radiohead tenha me explicado o que realmente houve de errado com o show dos pumpkins. Por hora eu tentanva entender:
Heksinki, 04 de março de 2008
Acabei de voltar do show do Smashing Pumpkins. Fiquei com a impressão de que eu e banda nos encontramos no tempo errado. Na primeira vez que os pumpkins visitaram o Brasil, eu era nova demais - de acordo com a minha mãe - para ir a lugares distantes como São Paulo ou Rio de Janeiro e assistir o concerto. Ironia tal, que agora, vários anos depois, assisti o show em Helsinki, Finlândia, me sentindo velha demais.
O público do ginásio Ice Hall era, na maioria, adolescente; adolescentes bem comportados e contidos. Fui um pouco preconceituosa com os jovens atuais; achei que eles não eram fãs de uma banda de “reunião”, com membros passando dos 40 anos. A arena não estava lotada, mas estava bem cheia. As pessoas chegaram lentamente, sem confusão e aos poucos foram se acomodando.
Tudo muito organizado. Os portões se abriram em ponto, às 19 horas. Às 20, em ponto, uma banda de adolescentes finlandeses tocou. Às 21, em ponto, o Smashing Pumpkins subiu ao palco. Do alto da arquibancada, onde minha cadeira numerada situava-se, vi aqueles pontinhos começarem a tocar. Destaque para a careca reluzente, identificada logo de cara como pertencendo a Billy Corgan. Mais corcunda do que eu podia imaginar, Billy vestia uma camiseta prateada de manga comprida, saia longa(!) - também prateada - e botas de vinil. O lugar em que eu estava até que não era tão longe do palco, mas longe o suficiente para não ver a definição do rosto de ninguém, e o pior de tudo, sem poder ver o sorriso peculiar e charmoso do velho Billy.
Antes de dizer uma palavra, começaram a tocar. Claro que eu reconheci aquela primeira música. Era Porcelina of the Vast Oceans, do Mellon Collie and the Infinite Sadness. O primeiro CD que eu ouvi da banda, e o meu preferido por vários anos. Surpreendentemente, a segunda música foi Behold! The Nightmare. Música bela, mas não muito famosa, cuja letra tem uma das minhas linhas preferidas “So may you come with your own knives, you’ll never take me alive. With all the force of what is true, is there nothing I can do?” Nessa hora eu já estava com o coração na mão, me segurando para não chorar. Até que chegou a terceira música e eu não a reconheci. Não reconheci nenhuma das músicas novas. Não comprei o CD Zeitgeist e não ouvi nenhuma das faixas.
Isso me deixou um pouco tensa, não queria passar o resto do concerto emburrada porque não conhecia as músicas. Ah, mas o alívio chegou na próxima, que foi Mayonaise. Que bom que não se esqueceram das velhas e boas canções. O resto não me lembro direito da ordem. Sei que tocaram Today, Bullet With Butterfly Wings, Tonight Tonight, The Everlasting Gaze, Stand Inside Your Love, 1979 (versão acústica, muito emocionante), Ava Adore e terminaram com Cherub Rock.
Não gostei nada de ter que assistir o show sentada, longe e no frio. Mas fazer o que, né? Decidi ir na véspera e me ferrei. Não tinha como eu imaginar que o povo das “numeradas” era esquisito demais até para levantar e dançar um pouco.
Billy estava educadíssimo. Diferente da imagem arrogante e mal-humorada que passou na turnê do Mellon Collie pelo Brasil. Fez piada com sua gripe: “Como é tosse em finlandês?”, “Yskä” - grita a platéia, “É isso mesmo que eu tenho” - achando graça por não ter entendido nada. Brincou com os noruegueses heavy metal - país onde tocaram há pouco tempo - imitando a maneira deles de cantar. Disse (ironicamente) para a platéia tomar cuidado para não morrer de excitação com o show - já que só uma dúzia de fâs estava mais exaltada - e até improvisou um blues sobre “estar doente” e “ser engraçado”. Pediu por favor para as pessoas cantarem junto: “Eu sei que vocês são todos cool, são finlandeses e tal, mas vamos cantar juntos essa….” No final do show, chegou perto da platéia e a reverenciou. Foi aplaudido e as luzes se apagaram.
Comprei a camiseta da tour européia, com a estampa semelhante a capa do Zeitgeist: a estátua da Liberdade (no meio do oceano?). Sinto falta da arte de antigamente, era mais original, bonita e menos politizada, mesmo assim, não podia ficar sem esse souvenir. No final, fiquei com a impressão de que faltou algo. Algo além da D’arcy e do James Iha.
Heksinki, 04 de março de 2008
Acabei de voltar do show do Smashing Pumpkins. Fiquei com a impressão de que eu e banda nos encontramos no tempo errado. Na primeira vez que os pumpkins visitaram o Brasil, eu era nova demais - de acordo com a minha mãe - para ir a lugares distantes como São Paulo ou Rio de Janeiro e assistir o concerto. Ironia tal, que agora, vários anos depois, assisti o show em Helsinki, Finlândia, me sentindo velha demais.
O público do ginásio Ice Hall era, na maioria, adolescente; adolescentes bem comportados e contidos. Fui um pouco preconceituosa com os jovens atuais; achei que eles não eram fãs de uma banda de “reunião”, com membros passando dos 40 anos. A arena não estava lotada, mas estava bem cheia. As pessoas chegaram lentamente, sem confusão e aos poucos foram se acomodando.
Tudo muito organizado. Os portões se abriram em ponto, às 19 horas. Às 20, em ponto, uma banda de adolescentes finlandeses tocou. Às 21, em ponto, o Smashing Pumpkins subiu ao palco. Do alto da arquibancada, onde minha cadeira numerada situava-se, vi aqueles pontinhos começarem a tocar. Destaque para a careca reluzente, identificada logo de cara como pertencendo a Billy Corgan. Mais corcunda do que eu podia imaginar, Billy vestia uma camiseta prateada de manga comprida, saia longa(!) - também prateada - e botas de vinil. O lugar em que eu estava até que não era tão longe do palco, mas longe o suficiente para não ver a definição do rosto de ninguém, e o pior de tudo, sem poder ver o sorriso peculiar e charmoso do velho Billy.
Antes de dizer uma palavra, começaram a tocar. Claro que eu reconheci aquela primeira música. Era Porcelina of the Vast Oceans, do Mellon Collie and the Infinite Sadness. O primeiro CD que eu ouvi da banda, e o meu preferido por vários anos. Surpreendentemente, a segunda música foi Behold! The Nightmare. Música bela, mas não muito famosa, cuja letra tem uma das minhas linhas preferidas “So may you come with your own knives, you’ll never take me alive. With all the force of what is true, is there nothing I can do?” Nessa hora eu já estava com o coração na mão, me segurando para não chorar. Até que chegou a terceira música e eu não a reconheci. Não reconheci nenhuma das músicas novas. Não comprei o CD Zeitgeist e não ouvi nenhuma das faixas.
Isso me deixou um pouco tensa, não queria passar o resto do concerto emburrada porque não conhecia as músicas. Ah, mas o alívio chegou na próxima, que foi Mayonaise. Que bom que não se esqueceram das velhas e boas canções. O resto não me lembro direito da ordem. Sei que tocaram Today, Bullet With Butterfly Wings, Tonight Tonight, The Everlasting Gaze, Stand Inside Your Love, 1979 (versão acústica, muito emocionante), Ava Adore e terminaram com Cherub Rock.
Não gostei nada de ter que assistir o show sentada, longe e no frio. Mas fazer o que, né? Decidi ir na véspera e me ferrei. Não tinha como eu imaginar que o povo das “numeradas” era esquisito demais até para levantar e dançar um pouco.
Billy estava educadíssimo. Diferente da imagem arrogante e mal-humorada que passou na turnê do Mellon Collie pelo Brasil. Fez piada com sua gripe: “Como é tosse em finlandês?”, “Yskä” - grita a platéia, “É isso mesmo que eu tenho” - achando graça por não ter entendido nada. Brincou com os noruegueses heavy metal - país onde tocaram há pouco tempo - imitando a maneira deles de cantar. Disse (ironicamente) para a platéia tomar cuidado para não morrer de excitação com o show - já que só uma dúzia de fâs estava mais exaltada - e até improvisou um blues sobre “estar doente” e “ser engraçado”. Pediu por favor para as pessoas cantarem junto: “Eu sei que vocês são todos cool, são finlandeses e tal, mas vamos cantar juntos essa….” No final do show, chegou perto da platéia e a reverenciou. Foi aplaudido e as luzes se apagaram.
Comprei a camiseta da tour européia, com a estampa semelhante a capa do Zeitgeist: a estátua da Liberdade (no meio do oceano?). Sinto falta da arte de antigamente, era mais original, bonita e menos politizada, mesmo assim, não podia ficar sem esse souvenir. No final, fiquei com a impressão de que faltou algo. Algo além da D’arcy e do James Iha.